Álcool na rua divide Lisboa e PS sobe o tom contra Moedas
O PS na Assembleia Municipal de Lisboa desafiou a Câmara a avançar para a proibição do consumo de álcool na via pública, considerando insuficiente a recente limitação da venda noturna e exigindo fiscalização eficaz no centro histórico.
O debate sobre o consumo de álcool no espaço público ganhou novo fôlego na Assembleia Municipal de Lisboa, com o PS a pressionar o executivo camarário a ir mais longe do que a limitação de horários de venda. Os socialistas defendem que a resposta ao problema passa por uma decisão estrutural: a proibição do consumo de bebidas alcoólicas na via pública.
A posição foi assumida por Carla Almeida, eleita socialista e presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, que considerou que restringir horários é apenas um primeiro passo. Para o PS, a coragem política mede-se pela capacidade de enfrentar o fenómeno na sua origem, sobretudo nas zonas mais pressionadas pela vida noturna.
A socialista criticou ainda o executivo liderado por Carlos Moedas, sublinhando que os alertas feitos por autarcas socialistas sobre o consumo desregulado no centro histórico foram ignorados no passado. Ainda assim, saudou a recente decisão da Câmara Municipal de Lisboa de proibir a venda de álcool para o exterior durante a noite, medida que entra em vigor a 14 de fevereiro, deixando claro que o PS exigirá que esta não fique pelo anúncio.
Segundo Carla Almeida, o partido não aceitará medidas que sirvam apenas estratégias de comunicação, defendendo que a nova regra tem de ser real, eficaz e acompanhada de fiscalização no terreno.
Do lado do executivo, o vereador com os pelouros da Economia e Cultura, Diogo Moura, garantiu que a limitação da venda de álcool não será isolada. O responsável explicou que a medida será articulada com o novo regulamento de horários e com o regulamento do ruído, reconhecendo a necessidade de reforçar a fiscalização, sobretudo em lojas de conveniência, minimercados, estabelecimentos de recordações e venda ambulante ilegal.
A sessão ficou ainda marcada por um debate mais alargado sobre a política cultural da cidade. A deputada do PCP Sofia Lisboa criticou o que classificou como um desfasamento entre discurso e prática, apontando o orçamento municipal como reflexo de precarização laboral e afastamento dos agentes culturais das decisões.
Já pelo Chega, Margarida Bentes Penedo usou da palavra para uma defesa da honra, depois de, na reunião anterior, a sua intervenção sobre cultura ter sido interpretada como uma proposta de censura.
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, reagiu com firmeza às críticas do PCP, lembrando que, durante o seu mandato, foram abertos quatro museus, renovados outros três, construído o novo Teatro Variedades e iniciadas obras de requalificação no Teatro Aberto, além do alargamento de horários das bibliotecas municipais e da criação de espaços para estruturas culturais da cidade.
Ainda na reunião, o deputado Edgar Vaz, do Chega, questionou o atraso nas obras do prolongamento da Linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa entre São Sebastião e Alcântara. Carlos Moedas assumiu a preocupação e defendeu que o projeto deve avançar sem mais alterações ao traçado.
A Assembleia Municipal aprovou por unanimidade vários votos de pesar, nomeadamente pela morte do escultor Francisco Simões, pelo falecimento do antigo secretário-geral da Presidência da República Luís d’Orey Pereira Coutinho e pelas vítimas do acidente ferroviário ocorrido em Espanha.
À margem da reunião, o presidente da câmara recusou comentar o resultado da primeira volta das eleições presidenciais, bem como eventuais apoios na segunda volta e a decisão da vereadora Ana Simões Silva, eleita pelo Chega, de passar a independente.
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