
As localidades de Montijo e Alcochete destacam-se como pilares da produção nacional de carne de porco, contribuindo com 400 milhões de euros anuais para o setor, o que representa 20% do total do país. Este eixo, situado ao longo dos concelhos ribeirinhos, é um dos mais significativos em termos de criação e transformação de suínos em Portugal.
Burocracia atrasa o desenvolvimento do setor
Contudo, apesar do cenário economicamente promissor, os pecuaristas enfrentam desafios burocráticos que dificultam a legalização das suas explorações. João Bastos, presidente da Filpor – Associação Interprofissional da Fileira de Carne de Porco, destaca que a burocracia é um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do setor, que é uma das maiores fontes de emprego privado no Montijo, com cerca de 200 explorações e diversas unidades industriais de grande porte.
A presença da Bolsa do Porco no Montijo, onde os preços dos suínos são definidos para mercados globais, sublinha ainda mais a importância da região para a indústria. No passado, a construção da Ponte Vasco da Gama levou à deslocalização de muitas explorações para o Alentejo, mas o crescimento de empreendimentos habitacionais em Montijo e Alcochete tem aumentado a pressão sobre o espaço disponível para a pecuária.
Apelo por exceções no licenciamento
Perante este panorama, João Bastos apela à criação de um regime de exceção para licenciamento das pecuárias, sublinhando que em Espanha o processo é muito mais célere, demorando cerca de seis meses, em contraste com os seis anos que pode levar em Portugal. Este apelo já foi levado à Assembleia da República, onde se esperam reuniões de trabalho com os diversos partidos políticos para discutir o tema.
O objetivo é garantir que as pecuárias restantes em Montijo e Alcochete possam operar sem os entraves que atualmente enfrentam, preservando assim a sua relevância económica e social. Com cerca de 4.000 explorações a nível nacional, a região do Montijo abriga uma parte significativa destas, mas enfrenta uma batalha contínua contra a burocracia para manter a sua operação viável e sustentável no longo prazo.
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