Alcácer do Sal

Alcácer do Sal: Quercus pede chumbo do Projeto Agroflorestal das Herdades de Murta e Monte Novo

'Litoral Alentejano continua a ser um autêntico «faroeste» da agricultura intensiva de regadio'

A Quercus submeteu o seu parecer negativo ao Projeto Agroflorestal Herdades de Murta e Monte Novo, em Alcácer do Sal, cuja reformulação está em consulta pública até amanhã, 19 de junho, conforme o Diário do Distrito noticiou.

«Subscrevemos inteiramente o posicionamento já divulgado pela Associação Dunas Livres, exigindo também a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) desfavorável a este projeto do promotor Aquaterra, mais um empreendimento insustentável numa região já severamente afetada pelo stress hídrico» refere a associação ambiental.

«O Litoral Alentejano continua a ser um autêntico «faroeste» da agricultura intensiva de regadio, sem que as autoridades locais e nacionais tomem medidas drásticas para travar novos projetos agrícolas e o esgotamento dos recursos hídricos já no limite.

Apesar de já explorar mais de 6 mil hectares nesta região através do regadio intensivo, o grupo Aquaterra quer agora aprovar mais 295 hectares para a plantação intensiva de citrinos numa área com os recursos hídricos à beira de colapsar.»

A Quercus relembra ainda que em Outubro de 2025 «dados do projeto Copernicus da União Europeia davam conta do abatimento dos solos em Alcácer do Sal, derivado do facto das intensas captações de água ultrapassarem a reposição natural do aquífero.

Ora, mesmo com a reformulação deste projeto agora em consulta pública, em causa está a extração massiva de 1.740.000 m3 de água subterrânea por ano, através de 12 furos de enorme profundidade.»

Outro dos aspectos referidos pela Associação, a par dos impactes sobre os recursos hídricos, é o facto deste projeto agroflorestal «coincidir com uma zona sensível do ponto de vista ecológico, com vários estatutos de proteção (Reserva Natural do Estuário do Sado; sítio RAMSAR; ZPE Açude da Murta, ZEC Comporta/Galé e ZEC Estuário do Sado), o que só por si deveria ser motivo mais do que suficiente para justificar o chumbo».

A Quercus considera que esta reformulação do projeto agora apresentada é uma operação de ‘cosmética’ para transparecer falsos ganhos ecológicos, quando no seu essencial permanece insustentável e alicerçada em medidas de compensação vagas e não vinculativas.


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