Política

ADN leva Portugal ao Brasil — e quer vigiar as eleições de Lula e Bolsonaro

O partido ADN nomeou Ricardo Horta de Alvarenga, advogado luso-brasileiro natural de Moimenta da Beira, como coordenador do partido no Brasil, avançando de imediato com um pedido formal para actuar como observador eleitoral internacional nas presidenciais brasileiras de outubro de 2026.

Um advogado luso-brasileiro de Moimenta da Beira vai ser os olhos e os ouvidos do partido português no maior país da América Latina. A missão começa já.

O partido ADN — Alternativa Democrática Nacional — deu um passo inédito na sua história ao nomear um coordenador para o Brasil, num movimento que mistura política partidária, laços da diáspora e ambições de observação eleitoral internacional. O escolhido é Ricardo Horta de Alvarenga, advogado com cédula ativa em Portugal e no Brasil, natural de Moimenta da Beira, no Distrito de Viseu.

A nomeação, anunciada pelo presidente do partido, Bruno Fialho, não é apenas simbólica. Com ela vieram ações concretas e imediatas: foi enviada uma carta formal ao Ministro-Presidente do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil, Kassio Nunes Marques, manifestando a intenção do ADN de atuar como observador eleitoral internacional nas eleições presidenciais brasileiras de 4 de outubro de 2026. Foram igualmente notificados o Presidente da República Federativa do Brasil, o Presidente do Senado Federal e o Presidente da Câmara dos Deputados.

A carta foi subscrita a dois punhos — por Bruno Fialho e por Ricardo Horta de Alvarenga — revelando, desde logo, o peso que o partido atribui a esta iniciativa.

Quem é Ricardo Horta de Alvarenga?

O recém-nomeado coordenador não é um desconhecido nas comunidades luso-brasileiras. Com uma vida que já passou por França, pelo Luxemburgo e pelo Brasil, Horta de Alvarenga acumulou um currículo institucional denso: é Diretor da Associação Portuguesa de Brasília, Diretor da Câmara de Comércio Brasil-Portugal Centro-Oeste — federada nas Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil — e Consultor da Casa de Portugal de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Em Portugal, integra a direção da Associação contra as Injustiças dos Solicitadores, Agentes de Execução e Advogados (SSAE), entidade voltada para a defesa dos direitos dos cidadãos perante o sistema judicial.

Tem ainda um passado político direto: foi Vereador no município de Águas Lindas de Goiás, no Brasil, entre 1997 e 2000, cargo que exerceu num dos estados da região Centro-Oeste. O comunicado do ADN descreve-o ainda como um apoiante assumido da família Bolsonaro, com quem partilha, segundo a mesma nota, “os valores da liberdade e da soberania nacional”.

A diáspora como trunfo político

O Brasil acolhe uma das maiores comunidades de portugueses e luso-descendentes do Mundo — estimativas apontam para vários milhões de pessoas com raízes lusas no território brasileiro. O ADN quer precisamente capitalizar essa presença, posicionando-se como o partido que “não ignora” a diáspora.

“Esta nomeação representa muito mais do que uma decisão partidária — é o reconhecimento de que a diáspora portuguesa é uma força política que não pode continuar a ser ignorada”, afirmou Bruno Fialho, presidente do partido.

A estratégia de expansão internacional surge num momento em que o ADN reforça também a sua implantação interna em Portugal, com novas estruturas concelhias a serem formalizadas em vários pontos do país.

Por que importa as eleições brasileiras de 2026?

As presidenciais brasileiras de outubro de 2026 prometem ser um dos eventos políticos mais escrutinados do mundo, com Lula da Silva e Jair Bolsonaro no horizonte como figuras centrais do debate — embora a participação de Bolsonaro esteja juridicamente condicionada. A presença de observadores internacionais nestas eleições tem sido um tema de crescente importância, num contexto de polarização política intensa no Brasil.

O ADN pretende, com esta iniciativa, garantir um lugar nesse processo, reforçando, ao mesmo tempo, os laços históricos entre Portugal e o Brasil ao nível da fiscalização democrática.


Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt


Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito

fertagus

palmela