ADN desafia Chega a apresentar nova moção de censura em outubro
O Alternativa Democrática Nacional considera “tardia e insuficiente” a moção de censura anunciada pelo Chega e desafia o partido de André Ventura a avançar, em outubro, com uma nova iniciativa centrada na política geral do Governo. Imigração, carga fiscal e gestão da pandemia estão entre os temas apontados pelo partido liderado por Bruno Fialho.
O Alternativa Democrática Nacional (ADN) criticou a moção de censura anunciada pelo Chega, considerando que uma iniciativa destinada a censurar todo o Governo não deve estar essencialmente centrada na situação de um único ministro.
Em comunicado, o partido liderado por Bruno Fialho defende a demissão imediata do governante em causa, mas considera que existem outras matérias que justificariam uma discussão parlamentar sobre a continuidade do Executivo.
“Se tudo o resto nunca foi suficiente para o Chega apresentar uma moção de censura, porque é que agora um único ministro é suficiente para censurar o Governo?”, questiona Bruno Fialho.
O ADN acusa ainda o Chega de transformar a iniciativa numa ação de pressão política e mediática, defendendo que uma moção de censura deve incidir sobre a política geral do Governo e a sua continuidade, em vez de funcionar como instrumento para provocar a saída de um membro do Executivo.
Entre os temas que o partido considera prioritários estão a política de imigração e de atribuição da nacionalidade, a carga fiscal e os impostos sobre os combustíveis, além da gestão da pandemia e daquilo que classifica como “mortalidade excessiva por explicar”.
Sobre este último tema, o comunicado inclui várias acusações e interpretações políticas do ADN relativas às medidas adotadas durante a pandemia, nomeadamente em matéria de vacinação, consentimento informado e restrições de direitos. Estas afirmações são posições do partido e não são acompanhadas, no comunicado, por dados ou documentação que permitam comprová-las.
Na imigração, o ADN acusa o Chega de não ter levado as posições que defende suficientemente longe através dos instrumentos parlamentares disponíveis. Já no plano económico, aponta o custo da habitação, a perda de poder de compra e os impostos como razões que considera mais abrangentes para censurar a atuação do Executivo.
Apesar das críticas à iniciativa do Chega, o ADN deixa claro que também se posiciona contra o atual Governo e afirma pretender a sua queda.
Bruno Fialho termina lançando um desafio ao Chega para que apresente uma nova moção de censura em outubro, escolhendo como fundamento um dos três temas apontados pelo ADN: pandemia e mortalidade, imigração e nacionalidade ou carga fiscal e impostos sobre os combustíveis.
“Menos espetáculo, mais coragem política”, afirma o presidente do ADN, que antecipa ainda que a atual moção de censura do Chega não conseguirá reunir apoio suficiente dos restantes partidos para ser aprovada na Assembleia da República.
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