Acesso e estacionamento na Fonte da Telha em debate
Câmara de Almada avança com plano para melhorar estacionamento e acesso na Fonte da Telha até 2027.
Durante anos, quem chegava à Fonte da Telha nos meses de verão deparava-se com um cenário que se repetia: filas de automóveis, estacionamento selvagem, vias bloqueadas e uma natureza frágil cada vez mais pressionada por uma procura que ninguém controlava. Esse tempo pode estar a chegar ao fim.
A 8 de maio, a Câmara Municipal de Almada sentou-se à mesa com os concessionários da zona balnear para apresentar um plano de intervenção concreto. O objetivo é claro: ordenar o estacionamento, garantir a segurança de quem visita e proteger um território que integra a Reserva Ecológica Nacional — uma área sensível, pressionada pelo turismo de massas e pelas alterações climáticas.
O pacote de medidas é ambicioso. Prevê a criação de duas áreas de estacionamento, a construção de uma rotunda, a instalação de painéis informativos com indicação da capacidade disponível em tempo real e, talvez a medida mais inovadora, um sistema de vaivém que transportará os visitantes desde os parques até à praia. O acesso automóvel ficará ainda sujeito a um mecanismo de controlo que bloqueará a entrada de veículos quando a capacidade máxima for atingida — pondo fim, em teoria, ao caos que, ano após ano, tomava conta dos acessos à praia.
As obras arrancam ainda este verão, ainda que a solução definitiva e consolidada esteja prevista apenas para 2027, uma vez que o projeto se irá adaptando às necessidades que forem surgindo durante a execução.
Na reunião, os concessionários presentes — conhecedores do terreno como ninguém — apresentaram sugestões baseadas na experiência acumulada de anos de trabalho na Fonte da Telha, demonstrando disponibilidade para colaborar com a autarquia naquilo que é descrito como um desafio partilhado.
O projeto será executado em parceria com a WeMob, a empresa municipal de estacionamento e mobilidade de Almada, e terá de respeitar os limites de carga estipulados pelos Programas da Orla Costeira da Agência Portuguesa do Ambiente — uma exigência que a câmara sublinha como inegociável para preservar o equilíbrio ecológico de uma zona que é, simultaneamente, um espaço público de fruição e um ecossistema a proteger.
A expectativa da autarquia é que a Fonte da Telha se torne, a médio prazo, um modelo de ordenamento e sustentabilidade balnear no país — um espaço que funcione para moradores, veraneantes, pescadores e agentes económicos sem sacrificar a natureza que o torna único.
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