
Por muito que nos tentem dizer que não, sabemos que a juventude continua não só a identificar-se com os valores de Abril, como também continua a lutar por eles.
Identificamo-nos com estes valores, inscritos na nossa Constituição, porque são o ecoar da luta do nosso povo e da juventude. Nessa Constituição cabe o sonho de um futuro melhor, mais justo e livre, em que as aspirações da juventude foram impressas e permanecem em construção.
A Escola Pública, uma conquista de Abril, fez frente aos obscuros anos em que a educação era limitada a alguns. Foi ela que permitiu aos jovens e crianças do nosso País aprender e estudar, derrubando o caminho elitista da educação durante a ditadura fascista. Ao lutar pela Escola Pública, gratuita, democrática e de qualidade estão, por si só, a lutar e a defender a Constituição.
Também os estudantes do ensino superior, que ainda no passado dia 24, mesmo aqui em frente e enchendo as ruas de Lisboa, reivindicaram o fim da propina, mais e melhor acção social escolar, mais alojamento público estudantil e mais participação democrática dos estudantes nas IES, reivindicações que se espelham no artigo 74º da nossa Constituição.
Vejamos também como no último ano, na luta contra o pacote laboral, as reivindicações dos jovens trabalhadores que ecoaram nas ruas, seja na greve geral, ou nas diversas acções de luta para o derrubar são, no essencial, o que está colocado nos artigos 55º, 58º e 59º da Constituição: o direito ao trabalho com salários dignos, contratos de trabalho estáveis, progressão nas carreiras e em que os direitos sindicais são livremente exercidos.
Também as lutas pelo direito à habitação, resposta à desresponsabilização do Estado por parte de vários governos, são todas elas uma voz expressiva da vontade do povo, e em particular da juventude que tem visto a sua emancipação adiada anos e anos, da defesa do artigo 65º.
Mesmo com o projecto de décadas praticado por PS, PSD e CDS ( este último o único que votou contra a Constituição de 76), projecto que recebe o apoio do Chega e da IL, de apagamento do significado concreto da Constituição, de lhe retirar conteúdo, e de passar a ideia de que é do passado, sabemos que nada do que defendem é mais progressista e próximo do que a juventude aspira do que a CRP.
É verdade que os inimigos de Abril, os que nunca se contentaram com os avanços revolucionários do nosso país, estão a cumprir a sua vontade de denegrir e apagar a Constituição. Fomentam o seu desconhecimento, em particular junto da juventude, para que não haja uma identificação popular com ela, como se ela daí não tivesse nascido.
Mas também é verdade que, mesmo não a conhecendo pelos números dos artigos, pela formulação feita em determinada posição, conhecem-na a partir daquilo que querem para o seu presente e futuro.
As comemorações populares do 25 de Abril todos os anos confirmam isto, com a forte presença da juventude por todo o país. Participam nas comemorações da nossa Revolução não só pelo seu significado histórico, fruto de uma luta heroica do nosso povo, mas porque sabem que é preciso continuar a defender Abril e lutar para que o seu projecto de fundo se concretize.
Fomos também nós, os jovens, a garantir que estava inscrito na Constituição o futuro que queríamos para a nossa vida, e que Abril se construía todos os dias na rua. Sejamos nós, novamente, a garantir que ele é cumprido e que se torna realidade – desde já hoje, às 15h no Marquês de Pombal, nas comemorações populares do 25 de Abril.
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