A batalha para manter a rádio dentro dos automóveis já começou
O eurodeputado Hélder Sousa Silva defende que os automóveis vendidos na União Europeia devem continuar a permitir o acesso fácil e direto à rádio através de AM, FM e DAB+, sem depender exclusivamente de Internet, aplicações ou plataformas comerciais. O tema foi debatido esta quarta-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas.

A evolução tecnológica dos automóveis não deve afastar a rádio tradicional dos veículos. A posição é defendida pelo eurodeputado português Hélder Sousa Silva, que promoveu, esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, um debate sobre o futuro deste meio de comunicação no setor automóvel.
A discussão, realizada em parceria com a União Europeia de Radiodifusão e a Associação Europeia de Rádios, partiu da questão “Porque é que todos os carros precisam de continuar a ter um autorrádio?” e procurou colocar o tema na agenda das futuras regras europeias para o setor digital.
Hélder Sousa Silva, coordenador do Partido Popular Europeu (PPE) na Comissão da Cultura e da Educação (CULT), defendeu que, apesar da crescente digitalização dos automóveis, os veículos comercializados no espaço europeu devem continuar a disponibilizar acesso simples e direto às emissões de rádio em AM, FM e DAB+, independentemente das ligações através da Internet.

Para o eurodeputado, a questão não é apenas tecnológica. Está também relacionada com a preservação do pluralismo dos meios de comunicação, das rádios locais e regionais, das línguas europeias e do acesso a informação considerada de confiança.
Sousa Silva considera que a rádio terrestre não deve ficar dependente exclusivamente de aplicações, plataformas comerciais ou serviços online. O eurodeputado alerta ainda que a simples possibilidade técnica de ouvir rádio não é suficiente, defendendo que esta deve permanecer facilmente visível e acessível nos sistemas dos automóveis.
“Os serviços de rádio devem continuar a ser fáceis de encontrar e de aceder e estarem sempre disponíveis, mesmo nas circunstâncias mais extremas”, afirmou.
Um dos argumentos apresentados está relacionado com a segurança e a proteção civil. O eurodeputado recordou o apagão ibérico de abril de 2025 como exemplo da importância de manter meios de comunicação capazes de funcionar quando outras infraestruturas são afetadas.
Segundo Hélder Sousa Silva, quando falham redes móveis ou serviços de Internet, a rádio terrestre pode assumir um papel particularmente relevante na transmissão de avisos, alertas e informação pública em situações de emergência ou catástrofe. Neste contexto, o automóvel pode também funcionar como um ponto de acesso à informação.
As preocupações defendidas pelo eurodeputado já foram remetidas pela Comissão da Cultura e da Educação à Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia (ITRE), no âmbito dos trabalhos relacionados com o futuro Regulamento Redes Digitais (DNA).
Hélder Sousa Silva pretende que estas matérias sejam consideradas na preparação da legislação europeia, de forma a garantir que a transição digital não retire à rádio terrestre a sua presença e acessibilidade nos automóveis do futuro.
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