30 milhões perdidos e sem resposta em Alcácer do Sal
Um mês após as cheias, Alcácer do Sal contabiliza 30 milhões de euros em prejuízos e reclama apoio urgente do Governo para salvar empresas, agricultores e pescadores afetados.

A dimensão dos estragos provocados pelas cheias em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, começa agora a ganhar contornos financeiros concretos. A autarquia estima que os danos ascendam a cerca de 30 milhões de euros, num primeiro levantamento que deixa de fora o setor agrícola, onde ainda decorrem avaliações.
Segundo os dados apurados até à última sexta-feira, cerca de 10 milhões de euros dizem respeito a prejuízos em particulares e 20 milhões correspondem a danos em infraestruturas municipais. Entre os equipamentos afetados estão a rede viária, património municipal e diversos equipamentos públicos, cuja recuperação exige investimento imediato.
A presidente da Câmara Municipal, Clarisse Campos, insiste que o município tem assumido sozinho os encargos iniciais, alertando que, passado um mês sobre as inundações, ainda não chegaram verbas do Governo. A prioridade, sublinha, é salvar os negócios locais, muitos deles severamente afetados pela paralisação forçada.
No setor agrícola, os prejuízos continuam por apurar. Há ainda campos submersos, impedindo uma avaliação final dos danos. A expectativa é que na próxima semana possa ser conhecido um valor global para esta área, fortemente atingida pelas intempéries.
Também a comunidade piscatória da Carrasqueira enfrenta dificuldades. Dos cerca de 29 pescadores que estão há dois meses praticamente sem rendimento, apenas 16 reuniram condições para aceder aos apoios disponíveis, devido a critérios que exigem um número mínimo de dias de atividade nos últimos dois anos. A autarquia defende que as regras devem ser ajustadas à realidade local.
Durante a visita de deputados da comissão parlamentar de Agricultura e Pescas ao concelho, foram discutidas as dificuldades enfrentadas por agricultores, pescadores e pequenos empresários. O Governo admitiu estar a estudar a atribuição de apoios financeiros a fundo perdido para pequenos negócios, mas a autarquia afirma não ter recebido garantias concretas quanto à sua implementação.
O Cais Palafítico da Carrasqueira, parcialmente destruído pelo mau tempo e atualmente em reabilitação, foi um dos locais visitados. O impacto das tempestades não se limitou a infraestruturas físicas, afetando diretamente a economia local e a subsistência de dezenas de famílias.
As cheias ocorreram no contexto da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram 18 mortes em Portugal e deixaram centenas de feridos e desalojados, com especial incidência nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
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