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3 de agosto de 1968: o acidente que ditou o fim político de Salazar

A 3 de agosto de 1968, António de Oliveira Salazar sofreu uma queda que acabaria por marcar o início do fim do Estado Novo. As complicações de saúde obrigaram ao seu afastamento da chefia do Governo, mas o antigo presidente do Conselho nunca foi informado de que tinha sido substituído.

Há precisamente 58 anos, a 3 de agosto de 1968, António de Oliveira Salazar sofreu um acidente doméstico que alteraria profundamente o rumo político de Portugal.

A queda de uma cadeira provocou graves lesões cerebrais no então presidente do Conselho de Ministros, que na altura tinha 79 anos e liderava o país há mais de três décadas. Inicialmente, Salazar recusou assistência médica, mas o agravamento do seu estado de saúde obrigou à sua hospitalização e posterior intervenção cirúrgica.

Nos dias e semanas seguintes, o estado clínico do governante continuou a deteriorar-se. Durante o período de recuperação, Salazar sofreu ainda um acidente vascular cerebral, reduzindo significativamente a sua capacidade de exercer funções.

O país apenas tomou conhecimento da gravidade da situação a 7 de setembro de 1968, quando foi oficialmente divulgada a informação de que o chefe do Governo tinha sido submetido a uma operação.

Perante a incapacidade de Salazar para continuar a governar, o Presidente da República, Américo Tomás, decidiu nomear Marcello Caetano para assumir a presidência do Conselho de Ministros, marcando o início de uma nova fase do regime.

No entanto, uma das particularidades mais curiosas deste episódio histórico reside no facto de Salazar nunca ter sido formalmente informado da sua substituição. Os seus colaboradores e familiares optaram por ocultar-lhe a decisão, levando-o a acreditar, até ao fim da vida, que continuava a dirigir os destinos do país.

Durante os dois anos que se seguiram, continuou a receber documentos preparados para manter essa ilusão e participou em reuniões fictícias com ministros e governantes que já não exerciam funções às suas ordens.

António de Oliveira Salazar acabaria por morrer a 27 de julho de 1970, sem nunca ter recuperado plenamente nem tomado consciência de que já não era o líder de Portugal.

A sua queda, ocorrida naquele verão de 1968, marcou simbolicamente o princípio do fim do Estado Novo, regime que seria definitivamente derrubado menos de seis anos depois, com a Revolução de 25 de Abril de 1974.


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