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252 mil pessoas sem médico de família e mortalidade infantil acima da média

Utentes da Península de Setúbal denunciam degradação do SNS e exigem reforço urgente de meios e investimento público

As Comissões e Associações de Utentes da Península de Setúbal reuniram-se este sábado no Pinhal Novo, no dia 11 de abril de 2026, para denunciar o que consideram ser uma “degradação acentuada dos serviços prestados às populações” e reforçar a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

No manifesto divulgado pela Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro, os utentes acusam as políticas dos sucessivos governos de colocarem “à prova a existência e universalidade” do SNS, alertando para os impactos diretos na vida das populações da região.

O documento destaca a “situação preocupante” no setor da saúde, apontando que “a falta de resposta adequada de cuidados de saúde na Península de Setúbal (…) não só agrava desigualdades, como compromete a confiança da população no Serviço Nacional de Saúde”. Entre os principais problemas identificados estão a escassez de profissionais, a dificuldade em preencher vagas de Medicina Geral e Familiar e o aumento das listas de espera para consultas, exames e cirurgias.

Os utentes denunciaram os dados que ilustram a gravidade da situação: “cerca de 252 mil utentes sem médico de família”, uma taxa de mortalidade infantil superior à média nacional e várias situações de partos realizados fora do ambiente hospitalar, nomeadamente em ambulâncias. Para as Comissões e Associações de utentes, esta realidade “é distinta da retórica” promovida pelo governo e demonstra falhas estruturais no sistema de saúde da região.

Uma das maiores preocupações expressas no manifesto conjunto é o encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia do Hospital do Barreiro. As associações consideram a decisão “incompreensível e injustificável”, alertando que irá “sobrecarregar desmesuradamente” o Hospital Garcia de Orta e aumentar o risco de partos fora de unidades hospitalares, devido à maior distância percorrida pelas grávidas.

As Comissões de Utentes defendem a construção do Hospital do Seixal, a reativação do Hospital do Montijo, novas unidades de cuidados primários e a valorização dos profissionais, com melhores salários, a valorização das carreiras na área da saúde e reposição das 35 horas semanais.

No apelo final, os utentes defendem um “reforço urgente do investimento público” e rejeitam qualquer caminho de privatização, afirmando que “só o Serviço Nacional de Saúde pode garantir aos portugueses serviços de qualidade, de acesso universal e tendencialmente gratuitos”. Sob o lema “Lutar vale a pena, resistir é preciso”, reiteram que continuarão mobilizados para exigir melhores condições, mais profissionais e novas infraestruturas de saúde na Península de Setúbal.


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