Opinião

25 de Novembro, quando a liberdade venceu o radicalismo

Luís Guerreiro

O 25 de Novembro de 1975 representa um dos momentos mais decisivos e menos compreendidos da história recente de Portugal. Se o 25 de Abril abriu a porta à liberdade, o 25 de Novembro garantiu que essa liberdade não fosse sequestrada por uma minoria ideológica que pretendia substituir uma ditadura por outra.

Foi nesse dia que Portugal se salvou de cair num regime de tipo soviético e pôde avançar para uma democracia pluralista, com direitos, liberdades e garantias para todos.

Depois da Revolução dos Cravos, o país mergulhou num período de enorme instabilidade, onde existiram nacionalizações em massa, ocupações ilegais, perseguições políticas e tentativas de controlo militar da vida civil transformaram o PREC numa época de medo e incerteza.

A democracia corria o risco de ser capturada por setores radicais que viam na revolução uma oportunidade para impor um modelo marxista, inspirado nos regimes totalitários de Leste.

Nesse contexto, o 25 de Novembro não foi um golpe contra o 25 de Abril, foi, sim, o seu salvamento, tanto para Portugal como para os Portugueses. Foi nesse dia que as forças democráticas dentro das Forças Armadas, apoiadas por uma sociedade cansada do caos, disseram “basta” à tentativa de desvirtuar o caminho da liberdade.

É também importante recordar que o 25 de Novembro foi o momento em que a sociedade civil voltou a respirar, as famílias, as empresas, as associações e as instituições deixaram de estar reféns da lógica revolucionária e puderam retomar o seu papel natural na construção do país. Foi sem a mínima dúvida a orientação para a normalidade democrática.

Infelizmente, em Portugal, durante décadas, o 25 de Novembro foi tratado como um tema incómodo, quase tabu. Muitos preferiram varrer para debaixo do tapete um episódio que não se encaixava bem no discurso da esquerda que ainda romantiza o PREC.

Mas o tempo faz justiça, e cada vez mais portugueses reconhecem que, sem o 25 de Novembro, não teríamos a liberdade de expressão, o pluralismo partidário, a economia aberta e o Estado de direito que hoje damos por adquiridos.

Celebrar o 25 de Novembro é, portanto, mais do que um ato de memória histórica, é um compromisso com o futuro, é reafirmar que a liberdade tem de ser defendida, que a democracia exige responsabilidade, e que o radicalismo, venha de onde vier, deve sempre ser enfrentado. É lembrar que o país só será verdadeiramente livre se continuar fiel aos princípios que triunfaram naquele dia, a soberania do povo, o Estado de direito e a economia livre.

Mais do que uma vitória militar, o 25 de Novembro foi uma vitória moral e política. Foi o momento em que Portugal escolheu ser um país livre, ocidental e democrático ao invés de uma marioneta ideológica.

Por isso, enquanto muitos falam do 25 de Abril como o “dia da liberdade”, eu digo sem hesitar que o 25 de Novembro foi o dia em que a liberdade foi salva.

A juventude popular está cá, e irá continuar a estar, sempre presente, para relembrar esta data de enorme relevo para o nosso país, a data que reforça a importância de manter viva a consciência crítica e o compromisso com a transformação social, reafirmando que a liberdade e os direitos do povo devem ser continuamente conquistados e protegidos para que nunca mais ousem fazer o que a esquerda tentou após o 25 de Abril de 1974.


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