2026 | Montijo e o trânsito… o futuro é já amanhã!
As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

Montijo, pela sua especificidade territorial, privilegia o transporte automóvel — privado — pela predominância de vias rectas e planas.
Este é também o tipo de Morfologia Urbana ideal para a utilização da bicicleta, logo o recurso às ciclovias, levando aqui ainda em consideração a falta de uma mobilidade plena, da rede de transportes urbanos.
Todos sabemos que cada cidade tem uma morfologia própria e é difícil ou mesmo impossível encontrar homogeneidade entre duas cidades. Assim, também na questão da circulação rodoviária não pode haver comparações possíveis entre cidades. Mas e isso convém aqui salientar, pode haver uma aproximação, se considerar os meios e modos a aplicar ao assumirmos algumas redes de itinerários comuns.
Desde o centro histórico, hoje desvirtuado, passando por algumas ruas estreitas, até aos bairros no eixo da “periferia”, deparam-se itinerários tão variados e antagónicos como variadas são as serventias de cada um deles, mas sempre “unidos”, em termos de acessibilidades, entre si, embora não evoluindo, o que se torna preocupante, face ao aumento do parque automóvel.
Montijo caracteriza-se fundamentalmente pela variedade de formas de utilização das suas vias: onde predominam os fluxos de veículos e peões, motivado pelos sectores Secundários, de pequena e média dimensão e pelo sector Terciário que se tem desenvolvido embora timidamente em Montijo, apesar de condicionado pelo grande polo Terciário que é Lisboa.
Os diferentes destinos de itinerários que se desenvolvem, na cidade, a partir da origem, faz com que as áreas sejam algo extensas, pela sua interligação hoje já nada fácil, havendo assim aqui uma tendência obrigatória para as acessar em “ramais”.
É então, já nesses mesmos “ramais” que o conflito rodoviário começa a ganhar mais expressão, pelas vias curtas entre si, pelas acessibilidades indefinidas e pelo avolumar de tráfego. A sinalização incompleta, ausente e deficiente também não ajuda lá muito, assim bem como o posicionamento de algum do mobiliário urbano e o estado de algumas das vias, passando pela ocupação indevida, em parte, das mesmas.
E por todos estes conflitos, à medida que Montijo vai crescendo o Centro Histórico vai ficando cada vez mais descentralizado em relação ao conjunto urbano. Se Montijo cresce, o núcleo expande-se, se não se desenvolve, o Centro retrai-se. O Centro descaracteriza-se, mas não desaparece, valendo-lhe ainda assim alguma expressão rodoviária, mesmo que pouco dinâmica e confusa.
Também um dos problemas que havia nas últimas décadas, em Montijo, era a circulação de veículos em todas as vias, por todos os sentidos e de todas as formas possíveis. Isso, veio inevitavelmente, com o aumento do parque automóvel a causar bastante embaraço para a circulação automóvel e veio também a aumentar, por concentração, os índices de poluição. Entre as soluções encontradas apontaram-se as da circulação de Trânsito de Sentido Único Organizado — TSUO —, com acessibilidades interligadas, e que contornem o Centro Histórico com parques para estacionamentos na periferia, do Centro, reservando-se aqui, o mesmo à circulação de peões, o que não está a acontecer.
Por tudo isto, possivelmente uma das alternativas ainda viáveis para o transporte urbano da cidade de Montijo, poderá por vir a passar por um Sistema Integrado de Transportes — SIT — que poderá trazer a vantagem de se poder racionalizar do uso do solo.
Há muito trabalho a fazer, começando-se pelo entendimento da diversificação dos modos de transporte utilizados (autocarro, barco, bicicleta e carro), fundamentalmente pelas suas necessidades e ofertas. A flexibilização dos horários das actividades e serviços na área urbana, evitando sobrecarga no trânsito e formação de congestionamentos, é fundamental, entre outras ações a serem levadas a efeito. O estudo deste fenómeno é prioritário.
Montijo pela multiplicidade dos meios de transporte que envolvem a cidade e pelo movimento pendular que ocorre ocasionalmente de uma forma por vezes desordenada, terá obrigatoriamente de ter em constante observação para numa intervenção tão célebre quanto possível, de uma Autoridade Rodoviária Citadina — ARC —, sem a qual muitos dos problemas que vão a surgir, e mesmo dos que já existem, se arrastarão e possam, por isso mesmo, tornarem-se difíceis de resolver e, até bastante incómodos, quer para condutores, quer para peões, diminuindo aqui drasticamente, diga-se, o índice de mobilidade urbana.
Um factor a ter ainda em conta será a possibilidade estudada, de ser elaborado um Plano Rodoviário para a Cidade de Montijo — PRCM — com identificação das intervenções onde e como, de um modo global concertado, com pormenores de ocasião e, ainda de um Regulamento Municipal de Trânsito — RMT —, mesmo que em sebenta, que possa numa primeira fase contemplar todo o perímetro citadino com circulação activa, a partir do Centro Histórico da cidade. Mas isso, a iniciar-se, terá obrigatoriamente de ser levado a cabo em modo progressivo para se tornar eficaz… ! Não pode, de algum modo, ser aqui ignorado ainda, a necessidade de se elaborar um estudo sobre a possibilidade de um Regulamento de Zonas Pedonais… que isto de zonas mistas não regulamentadas no Núcleo Histórico, é uma tremenda anormalidade rodoviária… !
E é assim, por todo este conjunto de situações, entre muitas outras aqui não abordadas, que se desenvolve harmoniosamente qualquer estrutura rodoviária de uma cidade e onde obviamente Montijo não foge à regra. As alterações são necessárias, mas e sempre no entendimento de que tudo deverá ser feito cumprindo-se as mais elementares normas regulamentares para a segurança de condutores/veículos e peões, para o desenvolvimento sócio-económico da cidade ao criarem-se mais e melhores acessibilidades, a potenciar as já existentes e conseguir-se uma maior mobilidade para as pessoas, melhorando a sua qualidade de vida, porque o futuro é já amanhã… !
Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt
Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito




